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Dependência emocional — quando confundimos amor com necessidade
Há pessoas que chegam a uma consulta sem saber bem o que as traz. Sabem que algo não está certo. Que há uma ansiedade que não passa, uma relação que consome mais do que alimenta, uma sensação de que sem aquela pessoa o chão some. Mas não têm a certeza se isso é amor intenso ou outra coisa. E essa incerteza, por si só, já diz muito. Verificam o telemóvel. Esperam. Verificam outra vez. Não porque sejam ansiosas por natureza. Mas porque aprenderam, muito cedo e muito bem, que a
claudiabacelos0
26 de mar.3 min de leitura


Amar é também saber não ir
Há uma cena no filme biográfico sobre Ray Charles que me tocou profundamente. A mãe observa o filho cego tropeçar, cair, chorar. E não se mexe. Fica ali, imóvel, com o coração partido, mas não vai. Deixa-o encontrar o chão. Deixa-o levantar. Deixa-o descobrir, sozinho, que consegue. E então acontece algo extraordinário. No meio do chão, o rapaz encontra um inseto. Para. Ouve-o com uma atenção absoluta, seguindo o som no silêncio. É um momento pequeno, quase imperceptível, mas
claudiabacelos0
20 de mar.3 min de leitura


A vida sem conteúdo
Vivemos numa época em que o açúcar tem de ser sem glicose, a manteiga sem gordura, o café sem cafeína. Queremos a forma sem a substância. O prazer sem o risco. A experiência sem o peso. Não admira, então, que as pessoas também se apresentem assim: com aparência de profundidade, mas esvaziadas por dentro. Visíveis, ativas, ocupadas e, no entanto, ausentes de si mesmas. A sociedade aprendeu a medir o valor das pessoas pelo que têm. Uma casa maior, um cargo mais alto, férias fot
claudiabacelos0
19 de mar.3 min de leitura
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