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Dependência emocional — quando confundimos amor com necessidade
Há pessoas que chegam a uma consulta sem saber bem o que as traz. Sabem que algo não está certo. Que há uma ansiedade que não passa, uma relação que consome mais do que alimenta, uma sensação de que sem aquela pessoa o chão some. Mas não têm a certeza se isso é amor intenso ou outra coisa. E essa incerteza, por si só, já diz muito. Verificam o telemóvel. Esperam. Verificam outra vez. Não porque sejam ansiosas por natureza. Mas porque aprenderam, muito cedo e muito bem, que a
claudiabacelos0
26 de mar.3 min de leitura


Porque é que repetimos sempre os mesmos erros?
Já se prometeu que desta vez seria diferente. E foi. Até não ser. Há uma estranha fidelidade nos erros que repetimos, como se uma parte de nós soubesse exactamente o que está a fazer, mesmo quando outra parte jura que não quer. Não é fraqueza. Não é falta de força de vontade. Não é ausência de consciência. É outra coisa, mais funda e mais silenciosa, que a psicanálise conhece bem. Quando a consciência não chega para mudar... Vivemos na época dos reels de psicologia. Em trinta
claudiabacelos0
23 de mar.6 min de leitura


Amar é também saber não ir
Há uma cena no filme biográfico sobre Ray Charles que me tocou profundamente. A mãe observa o filho cego tropeçar, cair, chorar. E não se mexe. Fica ali, imóvel, com o coração partido, mas não vai. Deixa-o encontrar o chão. Deixa-o levantar. Deixa-o descobrir, sozinho, que consegue. E então acontece algo extraordinário. No meio do chão, o rapaz encontra um inseto. Para. Ouve-o com uma atenção absoluta, seguindo o som no silêncio. É um momento pequeno, quase imperceptível, mas
claudiabacelos0
20 de mar.3 min de leitura
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